Este livro é uma parceria minha com o querido Fred. O trabalho é fruto de um encontro feliz com as formidáveis ilustrações dos cartazes da Greve dos Professores de 2017, realizados pelo artista Frederico Ravioli, professor da Arco Escola-cooperativa. Em 2018, eu e o Fred engatamos uma conversa sobre as diferentes formas e estilos de protesto que exercitamos ao longo da vida, começando com os choros viscerais e os berros da primeira infância.
É um livro singelo que procura respeitar o olhar da criança sobre um mundo por vezes tão confuso, onde as lutas legítimas são encaradas como violência e a violência como solução única ou necessária. Neste livro os protestos são vistos como dimensão fundamental da experiência humana de todos nós.
Agradeço ao Leonardo, editor da GLAC, por ter abraçado esse projeto com carinho e entusiasmo. Sou grata também à Luana Chnaiderman de Almeida que me apresentou os cartazes feitos pelo Fred para a greve.
— Laura Erber
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O EU PROTESTO! foi feito junto com a querida Laura Erber e o camarada Leonardo Araujo Beserra da GLAC edições. A parceria surgir ainda em 2018, depois que a Laura viu os cartazes e panfletos que fiz para a greve dos professores das escolas particulares. O livro narra o crescimento de uma criança, acompanhando as suas diferentes formas e táticas de protesto ao longo de sua vida, do choro e conspiração contra os adultos em cabaninhas de lençol, até ocupações e greves. Alguns desenhos da publicação são os próprios cartazes, panfletos e manuais que fiz pra luta contra o aumento pelo Movimento Passe Livre de São Paulo , das ocupações de escola pelo O Mal Educado e pra greve pela A Voz Rouca.
Lançar o livro me fez ter que assumir, não sem um certo desconforto, algumas das imagens que produzi nos últimos anos. Na militância, temos como prática nunca reivindicar a autoria sobre os materiais que fazemos. Na luta pouco importa quem foi a mão que produziu o cartaz, escreveu a música ou acendeu a barricada. As coisas que não tem nome são de todos, são apropriáveis, podem ser reproduzidas com mais facilidade, interessa apenas que elas sejam feitas de novo e passadas adiante. Dorival Caymmi deu uma entrevista uma vez falando que ele queria fazer uma música tão perfeita quanto ciranda cirandinha, algo que já existisse em todas as pessoas antes mesmo de ser criada, que todos sabem cantar e que nunca teve autor. Penso nesse sentido também sobre as imagens de luta, os desenhos no fundo são fruto do trabalho coletivo de elaborar e colocar em prática uma ideia e tática comum, algo que já existia antes de maneira dispersa nos movimentos. São tentativas de colocar imagens claras sobre ideias vagas que já estavam no seio de cada conflito que, quando acertadas, conseguiram sair do papel.
— Frederico Ravioli